Tendinite Patelar

A tendinite patelar, também conhecida como “joelho de saltador”, é uma lesão caracterizada pela inflamação do tendão patelar, a estrutura que liga a patela (rótula) à tíbia (osso da canela). Esse tendão desempenha um papel fundamental na biomecânica da perna, pois trabalha em conjunto com os músculos da coxa para permitir a extensão do joelho. É ele que possibilita movimentos explosivos como chutar uma bola, correr e, principalmente, saltar.

Como o nome popular sugere, essa condição é extremamente comum em atletas que praticam esportes que envolvem saltos repetitivos, como vôlei e basquete, mas também afeta corredores e praticantes de crossfit. A lesão ocorre geralmente devido a uma sobrecarga mecânica repetitiva (overuse). O estresse contínuo sobre o tendão causa microlesões nas fibras de colágeno que, se não tiverem tempo adequado para se regenerar, evoluem para um quadro inflamatório crônico e dor persistente.

O sintoma principal da tendinite patelar é a dor localizada logo abaixo da rótula, na inserção do tendão. Inicialmente, a dor pode aparecer apenas após a atividade física, mas com a progressão do quadro, ela passa a incomodar durante o exercício e, eventualmente, até mesmo em repouso ou atividades diárias, como subir escadas ou levantar-se de uma cadeira. A rigidez matinal no joelho também é um queixa frequente.

O diagnóstico é realizado através do exame clínico, onde o ortopedista avalia a história do paciente e palpa o tendão para identificar o ponto exato da dor. Testes funcionais, como pedir para o paciente agachar ou saltar, ajudam a confirmar a suspeita. Para avaliar a extensão do dano tecidual e descartar outras patologias, como a condromalácia ou a síndrome de Osgood-Schlatter, exames de imagem como a ultrassonografia e a ressonância magnética são ferramentas valiosas.

O tratamento da tendinite patelar deve ser iniciado o quanto antes para evitar a degeneração do tendão (tendinose). Na fase aguda, a abordagem inclui a redução da carga de treinos (repouso relativo), a aplicação de gelo no local para controle da dor e o uso de analgésicos. O uso de uma tira subpatelar (uma órtese colocada abaixo do joelho) pode ajudar a mudar o ângulo de tração e aliviar a pressão sobre a área lesionada durante as atividades.

A fisioterapia é o pilar mais importante da recuperação. O foco do tratamento fisioterapêutico são os exercícios de fortalecimento excêntrico (onde o músculo se alonga enquanto contrai), que comprovadamente estimulam a remodelação das fibras do tendão. Além disso, trabalhar a flexibilidade do quadríceps e dos isquiotibiais e corrigir a biomecânica do salto e da aterrissagem são medidas essenciais para evitar a recidiva do problema.

Em casos refratários, onde meses de tratamento conservador não trazem alívio, terapias biológicas como a aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) podem ser consideradas para acelerar a cicatrização. A cirurgia para remover o tecido degenerado é rara, sendo a última opção terapêutica. A prevenção passa pelo aumento gradual da intensidade dos treinos, uso de calçados com bom amortecimento e manutenção do equilíbrio muscular das pernas.